Diagnóstico TEA
Fluxograma de Diagnóstico do Autismo
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um processo clínico cuidadoso e, na maioria das vezes, multidisciplinar, envolvendo diferentes profissionais da saúde. No entanto, em casos mais leves como no TEA Nível 1 o diagnóstico pode ser realizado por um único médico especialista, desde que ele esteja capacitado e utilize critérios clínicos reconhecidos. Já em casos de TEA Nível 2 ou Nível 3, a avaliação costuma exigir o suporte de múltiplos profissionais, pois a complexidade dos sintomas demanda diferentes áreas de análise. Isso ocorre porque o autismo pode se manifestar de formas muito variadas e com intensidades distintas, tornando necessária uma investigação mais ampla para garantir precisão e segurança no diagnóstico.
Em grande parte das situações, o primeiro profissional a levantar uma suspeita é o pediatra, já que acompanha a criança desde os primeiros meses de vida e observa seu desenvolvimento ao longo das consultas de rotina. Mesmo sinais sutis como pouco contato visual, atraso na fala, sensibilidade a estímulos, comportamentos repetitivos ou dificuldade na interação podem ser suficientes para indicar a necessidade de uma investigação mais profunda.
Quando há suspeita, o pediatra encaminha a criança para especialistas.
O fluxo costuma seguir assim:
1. Pediatra identifica sinais iniciais
O pediatra avalia:
- Marcos do desenvolvimento (fala, motor, social);
- Respostas a estímulos;
- Comportamentos repetitivos ou incomuns;
- Relatos da família sobre interação, comunicação e rotina.
Caso perceba sinais de alerta, ele realiza o encaminhamento para avaliação especializada.
2. Encaminhamento para especialistas
Dependendo do caso, podem ser envolvidos:
Neuropediatra
Analisa:
- Desenvolvimento neurológico geral;
- Temperamento, interação social e comunicação;
- Histórico gestacional e perinatal;
- Possíveis causas neurológicas associadas.
É geralmente o profissional mais procurado para confirmar suspeitas iniciais.
Psiquiatra Infantil
Avalia:
- Padrões de comportamento;
- Aspectos emocionais, ansiedade, sensibilidades e autorregulação;
- Critérios diagnósticos formais do TEA (DSM-5 ou CID-11);
- Condições associadas, como TDAH, ansiedade ou seletividade alimentar extrema.
É o responsável por muitos diagnósticos formais.
Psicólogo (desenvolvimento ou neuropsicologia)
Realiza:
- Avaliação comportamental detalhada;
- Testes padronizados (ex.: ADOS-2, ABAS, Vineland);
- Análise da interação social, comunicação e interesses restritos;
- Observação direta da criança em diferentes situações.
O psicólogo ajuda a compor o quadro clínico e fornece dados objetivos.
Fonoaudiólogo
Examina:
- Atrasos ou diferenças na comunicação verbal e não verbal;
- Compreensão de linguagem;
- Uso funcional da fala;
- Habilidades pragmáticas (como a criança se comunica socialmente).
É essencial quando há atraso de fala ou dificuldades de comunicação.
Terapeuta ocupacional (com integração sensorial)
Avalia:
- Sensibilidades sensoriais (luz, barulho, toque, texturas);
- Coordenação motora fina e grossa;
- Autonomia em atividades do dia a dia;
- Comportamentos de autorregulação e resposta ao ambiente.
Contribui para identificar como o ambiente afeta o comportamento da criança.
3. Avaliações específicas
Os especialistas utilizam:
- Entrevistas com os pais ou responsáveis;
- Observações clínicas;
- Testes e escalas padronizadas;
- Histórico médico e de desenvolvimento.
Cada área fornece uma parte importante do quebra-cabeça diagnóstico.
4. Integração das informações
Todos os dados são analisados em conjunto para verificar se a criança atende aos critérios formais do autismo. O diagnóstico não depende de um exame único, mas da combinação de observações e avaliações multidisciplinares.
5. Devolutiva para a família
Os profissionais explicam:
- O diagnóstico (quando confirmado);
- Pontos fortes e desafios da criança;
- Indicações de terapias, estímulos e acompanhamento.
Tudo é feito de forma clara, acolhedora e personalizada.
6. Início do acompanhamento
Com o diagnóstico concluído, é criado um plano individualizado, que pode incluir:
- Terapia comportamental;
- Fonoaudiologia;
- Terapia ocupacional;
- Psicoterapia infantil;
- Acompanhamento contínuo com especialistas.
7. Já sou adulto, por onde começo?
Se você acredita que apresenta sinais de autismo, o primeiro passo é realizar a autovaliação gratuita logo abaixo. Ela não fornece diagnóstico, mas ajuda a identificar indicadores importantes que podem orientar sua decisão de buscar uma avaliação profissional.
Após completar o teste, caso os sinais persistam, o ideal é procurar um psiquiatra ou neurologista especializado em adultos. Esses profissionais podem realizar uma avaliação clínica detalhada, analisar seu histórico de vida, suas características atuais e, se necessário, solicitar testes complementares com psicólogos especializados em neurodesenvolvimento.
O importante é lembrar que muitas pessoas só descobrem o autismo na vida adulta, e isso é cada vez mais comum. Buscar esclarecimento é um passo valioso para entender melhor quem você é e obter o suporte adequado.