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Anamnese no autismo:

A anamnese no autismo é uma etapa fundamental do processo de avaliação e diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Trata-se de uma entrevista clínica detalhada realizada com pais, responsáveis ou com o próprio paciente (no caso de adolescentes e adultos), com o objetivo de compreender o histórico de desenvolvimento, comportamento, saúde e interações sociais da pessoa avaliada.

A anamnese é essencial porque o diagnóstico do autismo é clínico e comportamental. Ou seja, não existe exame de sangue, imagem ou teste isolado que confirme o TEA. O diagnóstico depende da observação e da análise cuidadosa do desenvolvimento desde a primeira infância.

Por que a anamnese é tão importante?

A anamnese permite ao profissional coletar informações que muitas vezes não podem ser identificadas apenas pela observação direta da criança ou da pessoa avaliada. Ela ajuda a:

  • Identificar sinais precoces de desenvolvimento atípico.
  • Compreender o contexto familiar, social e educacional.
  • Diferenciar o TEA de outras condições com características semelhantes.
  • Mapear forças, dificuldades e necessidades específicas da pessoa.

Esses dados são essenciais para uma avaliação completa, para o fechamento do diagnóstico e para o planejamento das intervenções adequadas.

O que é avaliado na anamnese do autismo?

Durante a anamnese, o profissional faz perguntas detalhadas sobre diversas áreas do desenvolvimento. Entre os principais tópicos investigados estão:

1. Gestação e nascimento

  • Condições da gestação (complicações, infecções, uso de medicamentos, etc.).
  • Tipo de parto.
  • Prematuridade ou baixo peso ao nascer.
  • Internações neonatais.

2. Desenvolvimento motor e cognitivo

  • Idade em que a criança começou a sentar, engatinhar e andar.
  • Coordenação motora fina e grossa.
  • Marcos do desenvolvimento intelectual.

3. Desenvolvimento da fala e comunicação

  • Idade em que começou a balbuciar e falar palavras.
  • Perdas ou regressões da fala.
  • Forma de comunicação atual (verbal, gestual, alternativa).
  • Dificuldade em manter conversas e compreender nuances sociais.

4. Comportamentos repetitivos e interesses específicos

  • Presença de estereotipias (agitar as mãos, balançar o corpo, girar objetos).
  • Apegos a rotinas rígidas.
  • Interesses específicos e intensos.
  • Resistência a mudanças.

5. Sensibilidades sensoriais

  • Hipersensibilidade a sons, luzes, texturas ou cheiros.
  • Busca sensorial intensa (cheirar objetos, tocar superfícies, movimentos repetitivos).

6. Habilidades sociais e comportamentais

  • Interação com familiares, colegas e adultos.
  • Dificuldade em interpretar expressões faciais ou emoções.
  • Preferência por brincar sozinho.
  • Comportamentos desafiadores, como agressividade ou autoagressão.

7. Rotina, alimentação e sono

  • Padrões de sono.
  • Seletividade alimentar ou dificuldades com texturas.
  • Comportamentos específicos na rotina familiar.

Quem realiza a anamnese?

A anamnese pode ser conduzida por diferentes profissionais envolvidos no diagnóstico e acompanhamento do TEA, como:

  • Psicólogos
  • Psiquiatras
  • Neuropediatras
  • Terapeutas ocupacionais
  • Fonoaudiólogos

Em avaliações completas, a anamnese costuma ser feita por mais de um profissional, cada um com foco em sua área específica.

Anamnese em adultos que buscam diagnóstico

No caso de adultos, a anamnese também é realizada, mas com algumas adaptações. É comum que:

  • O próprio adulto relate sua história de vida.
  • Um familiar próximo participe, caso haja dúvidas sobre a infância.
  • Se investiguem dificuldades persistentes ao longo dos anos, como relações sociais, escola, carreira e rotina.

Como o autismo leve pode passar despercebido na infância, a anamnese é crucial para identificar sinais retrospectivos.

A anamnese confirma o diagnóstico?

Não. A anamnese é uma parte do processo diagnóstico, mas não é suficiente sozinha para confirmar o TEA. Ela deve ser combinada com:

  • Observação clínica.
  • Avaliações comportamentais.
  • Testes padronizados, como ADOS e ADI-R.
  • Escalas e questionários específicos.

Somente com esse conjunto de informações é possível fechar o diagnóstico com precisão.

Conclusão

A anamnese no autismo é um passo essencial para compreender a história de desenvolvimento e o funcionamento da pessoa avaliada. Ela fornece informações valiosas que orientam o diagnóstico e ajudam a definir o melhor plano de intervenção.

Quanto mais detalhada e completa for a anamnese, mais eficiente será o processo diagnóstico e o acompanhamento terapêutico.

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